O que você gostaria de ser quando crescesse?
Descubra por que sua vida não depende de alcançar um sonho, mas de viver para a glória de Deus.
CULTURA
Antonio Marcos dos Santos
9/19/202614 min read
Quando somos crianças, existe uma pergunta que, em algum momento, quase todos nós ouvimos: “O que você gostaria de ser quando crescer?”
E é curioso observar como as respostas costumam ser grandes. Algumas crianças querem ser jogadores de futebol, astronautas, médicos, advogados, pilotos. Elas não parecem muito preocupadas com as limitações que existem entre aquilo que desejam e aquilo que, de fato, será possível realizar.
Isso acontece porque uma criança ainda não conhece completamente o mundo em que está vivendo.
Ela ainda não sabe quanto custa uma faculdade. Não sabe que determinadas profissões exigem anos de estudo. Não conhece as dificuldades financeiras que podem surgir. Talvez ainda não tenha percebido que algumas oportunidades dependem do lugar onde ela mora, da condição da sua família ou de circunstâncias que estão completamente fora do seu controle.
À medida que crescemos, começamos a descobrir essas coisas.
E então alguns daqueles sonhos começam a parecer cada vez mais distantes.
Nem todos terão as mesmas oportunidades. Nem todos terão o apoio da família. Nem todos poderão estudar onde gostariam. Nem todos terão condições financeiras para seguir o caminho que imaginaram.
É claro que existem pessoas que conseguem superar circunstâncias extremamente difíceis e alcançar posições que pareciam improváveis. Mas essas histórias, justamente por serem excepcionais, não podem ser tratadas como se fossem a experiência comum de todas as pessoas.
O mundo em que vivemos não é um mundo ideal.
E talvez seja justamente por isso que algumas pessoas passam boa parte da vida frustradas por não terem se tornado aquilo que imaginaram quando eram crianças.
Mas existe uma pergunta que precisamos fazer antes de transformar essa frustração em uma sentença sobre a nossa própria vida:
Será que não ter se tornado aquilo que você imaginava quando criança significa que sua vida deu errado?
Você não conhecia o mundo quando fez aquele sonho
Quando uma criança diz que quer ser astronauta, ela está expressando um desejo a partir do conhecimento que possui naquele momento.
Ela ainda não conhece todas as possibilidades e limitações da vida adulta. Não conhece completamente o mundo, não conhece completamente a si mesma e também não sabe como suas circunstâncias vão mudar ao longo dos anos.
Por isso, talvez seja injusto olhar para uma decisão ou um sonho que tivemos aos dez anos e utilizá-lo como medida para avaliar quem somos aos trinta, quarenta ou cinquenta.
Você mudou.
Sua compreensão do mundo mudou. Seus interesses mudaram. Suas responsabilidades mudaram. Talvez até aquilo que você imaginava que lhe traria felicidade tenha mudado.
Então, por que deveríamos continuar tratando aquele sonho infantil como se fosse um contrato que fizemos com nós mesmos?
Talvez você realmente tenha desejado ser alguma coisa quando era criança e nunca tenha conseguido.
Mas isso não significa necessariamente que você fracassou.
Talvez você simplesmente tenha crescido.
E crescer também significa descobrir que a vida é muito maior do que aquilo que conseguíamos enxergar quando éramos crianças.
A vida não termina quando alcançamos aquilo que queríamos
Existe ainda outro problema.
Mesmo que você consiga realizar aquele sonho, isso não significa que a frustração desaparecerá.
Isso acontece porque a vida adulta rapidamente nos apresenta novas expectativas.
Quando somos crianças, existe uma cobrança para tirar boas notas e passar de ano. Depois, aparece a preocupação com o primeiro emprego ou com a entrada na faculdade.
Quando entramos na faculdade, surge outra cobrança: precisamos nos formar e conseguir um bom emprego.
Quando procuramos o primeiro emprego, descobrimos que as empresas querem experiência.
Quando finalmente conseguimos o emprego, percebemos que o salário talvez não seja aquilo que esperávamos.
Então começamos a buscar uma promoção.
Depois, talvez venha a cobrança para ocupar uma posição melhor, ganhar mais dinheiro, comprar uma casa, trocar o carro, construir uma família.
E, quando nos casamos, aparecem outras expectativas.
Quando teremos filhos?
Quando teremos outro?
Será que estamos oferecendo uma boa condição para eles?
Enquanto tudo isso acontece, continuamos olhando para as pessoas ao nosso redor e comparando nossa trajetória com a delas.
A vida começa a parecer uma sequência interminável de degraus.
Você alcança um e imediatamente aparece outro.
O problema é que essas cobranças não funcionam como um videogame em que você passa de fase e recebe um prêmio. Muitas vezes, várias delas acontecem ao mesmo tempo.
Você precisa trabalhar, cuidar da família, estudar, pagar as contas, manter relacionamentos, construir uma carreira e ainda lidar com aquilo que você mesmo espera de si.
E talvez seja justamente aí que percebamos que a vida não pode ser reduzida à próxima coisa que precisamos conquistar.
Existe uma maneira mais sábia de enxergar isso. Nossa vida não foi feita para ser conduzida por uma ambição sem limites, como se precisássemos abraçar todas as possibilidades ao mesmo tempo. Deus nos chama a viver dentro de uma vocação, atribuindo-nos deveres e responsabilidades concretas. Isso coloca limites na nossa inquietação e nos ajuda a compreender que não precisamos correr atrás de tudo aquilo que parece grandioso aos olhos dos homens.
A vida se torna mais ordenada quando aprendemos a permanecer fiéis àquilo que Deus colocou diante de nós. Isso não significa acomodação ou ausência de crescimento, mas reconhecer que existe uma diferença entre buscar diligentemente aquilo que Deus nos confiou e viver constantemente insatisfeitos porque ainda não alcançamos aquilo que imaginamos que deveríamos ser.
Sempre existe um próximo depois
Existe uma ideia interessante no livro Sobre a brevidade da vida, de Sêneca, sobre a maneira como desperdiçamos a vida enquanto imaginamos que teremos tempo suficiente para vivê-la depois. Logo no início do livro, Sêneca chama atenção para aqueles que passam a vida fazendo preparativos para a própria vida, como se tivessem a garantia de que chegarão ao momento em que finalmente poderão desfrutar aquilo que planejaram. O problema é que a vida pode terminar justamente enquanto estamos fazendo esses preparativos.
Essa ideia encontra um paralelo interessante nas palavras de Jesus.
Em Lucas 12, Jesus conta a história de um homem que acumulou riquezas, construiu celeiros maiores e começou a planejar seu futuro. Ele imaginava que, depois de organizar tudo, finalmente poderia descansar e desfrutar aquilo que havia conquistado.
Mas naquela mesma noite sua vida terminou.
O problema daquele homem não era simplesmente ter planejado.
O problema estava em imaginar que possuía o futuro.
E talvez exista aqui algo que precisamos aprender.
A vida parece muito longa quando estamos planejando.
Sempre existe um depois.
Depois eu descanso.
Depois eu viajo.
Depois eu aproveito minha família.
Depois que eu ganhar mais dinheiro.
Depois que eu conseguir aquele emprego.
Depois que eu me aposentar.
Mas nós não sabemos quanto tempo teremos.
Não sabemos se chegaremos à aposentadoria. Não sabemos se teremos as condições que imaginamos. Não sabemos sequer se estaremos aqui quando aquele futuro finalmente chegar.
Isso não significa que não devemos planejar. Podemos pensar, deliberar, tomar precauções, estudar, trabalhar e utilizar os meios que estão ao nosso alcance. O problema está em transformar o futuro em uma desculpa para desperdiçar o presente.
Planejar o futuro, portanto, não é o problema. Podemos organizar nossos caminhos sem esquecer que eles permanecem debaixo da providência de Deus.
Existe uma diferença entre planejar e presumir. O planejamento reconhece nossa responsabilidade; a presunção imagina que possuímos o resultado. Podemos organizar nossos caminhos, mas não somos os senhores daquilo que acontecerá amanhã.
É justamente nesse ponto que a doutrina cristã da vocação começa a oferecer uma maneira diferente de enxergar a vida.
A vocação cristã é maior do que uma profissão
Talvez Deus não tenha chamado você para uma profissão específica que deveria necessariamente alcançar, como se sua vida só tivesse sentido caso você se tornasse médico, advogado, juiz, professor ou qualquer outra coisa que imaginou na infância.
Ele o chama a viver fielmente a vocação que lhe confiou, onde quer que esteja, usando sua vida para refletir sua imagem e buscar sua glória.
Isso significa que a pergunta não precisa ser simplesmente:
“Qual profissão Deus determinou que eu deveria ter?”
Pode ser também:
“Como posso viver fielmente diante de Deus naquilo que ele colocou diante de mim?”
A vocação cristã é muito maior do que um cargo.
Deus estabelece diferentes gêneros de vida e diferentes responsabilidades. Ele não mede todas as pessoas pela mesma régua, nem determina que todas ocupem a mesma posição. Cada pessoa possui deveres próprios, e a fidelidade consiste em viver esses deveres diante de Deus.
Deus nos chama, antes de qualquer coisa, para viver para a sua glória onde quer que estejamos.
Você pode glorificar a Deus sendo médico.
Pode glorificar a Deus dirigindo um caminhão.
Pode glorificar a Deus limpando uma sala.
Pode glorificar a Deus ensinando em uma escola.
Pode glorificar a Deus cuidando dos seus filhos em casa.
Pode glorificar a Deus estudando enquanto tenta descobrir qual será seu caminho profissional.
O valor daquilo que fazemos não está simplesmente no prestígio que aquela atividade possui aos olhos da sociedade.
Uma tarefa não se torna valiosa diante de Deus simplesmente porque parece importante aos olhos dos homens. Da mesma maneira, uma tarefa não se torna desprezível porque é simples, escondida ou pouco reconhecida. A questão fundamental é se estamos vivendo fielmente dentro daquilo que Deus nos confiou.
Existe uma maneira muito comum de medir o valor de uma pessoa pelo tamanho daquilo que ela conseguiu alcançar.
Quanto ela ganha.
Qual é o cargo que ocupa.
Onde trabalha.
Qual carro dirige.
Qual faculdade frequentou.
Quantas pessoas conhecem seu nome.
Mas o cristianismo nos ensina a olhar para essas coisas de outra maneira.
A nossa própria natureza tende a transformar riquezas, honras, poder e reconhecimento em objetos de desejo. Ao mesmo tempo, tendemos a temer a pobreza, a falta de notoriedade e a condição humilde. Por isso, uma vida organizada em torno da aprovação humana pode facilmente se transformar em uma busca interminável por uma posição maior.
Cristo nos liberta da comparação
Quando os apóstolos foram levados diante das autoridades religiosas depois da ressurreição e ascensão de Jesus, receberam uma ordem muito clara: deveriam parar de falar sobre o nome de Cristo.
A resposta deles foi igualmente clara:
“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”
Existe algo profundamente importante nessa resposta.
A vida cristã não pode ser organizada a partir da necessidade de agradar constantemente às expectativas humanas.
Isso não significa que devemos desprezar as pessoas ou ignorar nossas responsabilidades diante delas. Significa que existe uma autoridade maior diante da qual todas as outras precisam ser avaliadas.
E isso também muda a maneira como lidamos com a comparação.
Quando vivemos tentando provar alguma coisa para outras pessoas, nossa vida passa a ser organizada em torno do olhar delas.
Queremos parecer bem-sucedidos.
Queremos demonstrar que estamos avançando.
Queremos mostrar que nossa vida está dando certo.
Mas, se pertencemos a Cristo, nosso valor não depende da posição que ocupamos diante dos outros.
Não precisamos transformar nossa vida em uma apresentação permanente para conquistar a aprovação das pessoas.
A pergunta mais importante não é simplesmente: “O que as pessoas vão pensar de mim?”
É: “Estou vivendo fielmente diante de Deus?”
Isso também nos ajuda a compreender por que a busca por riqueza, honra e reconhecimento pode se tornar tão perigosa. O problema não está simplesmente em possuir alguma dessas coisas, mas em permitir que elas governem nossos desejos. Quando a nossa felicidade depende de alcançar determinada posição, passamos a viver inquietos, tentando conduzir a vida exclusivamente segundo nosso próprio conselho.
A confiança em Deus nos ensina a desejar e trabalhar sem transformar aquilo que desejamos em um senhor sobre nós.
O que você vai ser é importante, mas quem você está se tornando é ainda mais
Talvez seja aqui que a pergunta da infância precise ser transformada. Quando alguém pergunta:
“O que você quer ser quando crescer?”
normalmente estamos pensando em profissão.
Mas existe uma pergunta mais profunda:
“Quem você quer ser enquanto cresce?”
Porque a grande questão da vida cristã não está simplesmente naquilo que fazemos, mas também naquilo que estamos nos tornando.
A Escritura nos apresenta a doutrina da imago Dei, a imagem de Deus. Fomos criados para refletir algo do nosso Criador. E, em Cristo, somos chamados a ser conformados à sua imagem.
A imagem de Deus não deve ser entendida apenas como uma característica que recebemos no início da existência. A vida cristã também envolve sua restauração. A regeneração tem como objetivo restaurar essa imagem que foi corrompida pelo pecado, e esse processo acontece progressivamente: à medida que avançamos, somos chamados a nos aproximar cada vez mais da semelhança de Deus.
Essa restauração se manifesta na vida inteira: no conhecimento, na retidão, na santidade e na maneira como somos transformados à imagem de Cristo. Portanto, a pergunta sobre quem estamos nos tornando é, para o cristão, inseparável da pergunta sobre quanto nossa vida está sendo conformada a Cristo.
Isso significa que toda a nossa existência participa desse processo.
Não apenas o nosso trabalho.
Não apenas os nossos estudos.
Não apenas aquilo que fazemos dentro da igreja.
Nossa vida inteira.
A maneira como tratamos nossa família.
A maneira como trabalhamos.
A maneira como lidamos com dinheiro.
A maneira como tratamos aqueles que não podem nos oferecer nada em troca.
A maneira como enfrentamos nossas limitações.
A maneira como usamos nosso tempo.
Tudo isso faz parte da vida daquele que pertence a Cristo.
Por isso, talvez você não tenha se tornado aquilo que imaginava quando era criança. Mas existe algo muito maior acontecendo em sua vida do que a realização de um sonho profissional: você está sendo chamado a viver uma vida que reflita cada vez mais aquele a quem pertence.
Você não precisa de uma profissão extraordinária para viver uma vida extraordinária
Existe algo particularmente bonito nisso.
Deus não olha para seus filhos como se alguns fossem mais importantes porque possuem profissões mais prestigiadas.
Não somos mais valiosos porque somos médicos, juízes, promotores ou empresários.
Da mesma maneira, não somos menos valiosos porque trabalhamos em uma profissão simples ou porque nossa rotina não parece impressionante aos olhos das outras pessoas.
A fidelidade cristã não depende do glamour da nossa profissão.
Muitas vezes, a coisa mais importante que alguém fará durante um determinado dia será completamente invisível para a maioria das pessoas.
Cuidar de um filho.
Visitar alguém que está sofrendo.
Trabalhar honestamente.
Cumprir uma responsabilidade.
Servir alguém.
Pedir perdão.
Perseverar em uma dificuldade.
Orar.
Fazer aquilo que precisa ser feito mesmo quando ninguém está olhando.
Nada disso necessariamente produz reconhecimento.
Mas a vida cristã nunca foi uma competição por reconhecimento.
Existe uma liberdade muito grande quando entendemos isso. Se Deus não mede nossas obras simplesmente pelo prestígio que elas possuem aos olhos dos homens, também não precisamos viver tentando transformar cada tarefa em algo grandioso. Uma pessoa pode estar em uma condição simples, desempenhando uma responsabilidade aparentemente pequena, e ainda assim estar vivendo uma vida profundamente significativa diante de Deus.
Nenhuma obra precisa ser considerada pequena demais quando é realizada dentro da vocação que Deus nos confiou. O que parece obscuro aos olhos humanos pode ser valioso diante de Deus. A grandeza da tarefa não é determinada simplesmente pelo reconhecimento que ela recebe.
Por isso, você não precisa ter uma profissão extraordinária para viver uma vida extraordinária diante de Deus.
A grandeza da vida não está necessariamente naquilo que o mundo consegue enxergar.
O presente também faz parte da sua vocação
Talvez exista ainda outra coisa que precisamos recuperar: a capacidade de desfrutar o caminho.
Às vezes imaginamos que nossa vida só começará quando alguma coisa acontecer.
Quando conseguirmos determinado emprego.
Quando terminarmos a faculdade.
Quando ganharmos mais dinheiro.
Quando comprarmos nossa casa.
Quando tivermos filhos.
Quando os filhos crescerem.
Quando nos aposentarmos.
E, enquanto esperamos pelo próximo momento, deixamos de perceber que estamos vivendo agora.
O problema é que o tempo não volta.
Se alguém entrasse hoje na sua casa para roubar aquilo que você possui, provavelmente você faria alguma coisa para impedir.
Mas existem coisas que estão sendo retiradas de nós diariamente e que muitas vezes entregamos sem resistência.
Nosso tempo.
Gastamos horas tentando promover nossa própria imagem. Gastamos tempo tentando agradar pessoas que talvez nem façam parte da nossa vida daqui a alguns anos. Consumimos conteúdos que não acrescentam praticamente nada. Passamos longos períodos acompanhando a vida de pessoas que sequer conhecemos.
E o tempo continua passando.
Quando chegarmos ao fim da nossa vida, não poderemos voltar para recuperar aquele dia que entregamos tão facilmente.
É por isso que aprender a viver o presente não significa abandonar o futuro.
Significa reconhecer que o presente também é uma dádiva de Deus.
E isso também muda a maneira como enxergamos aquilo que possuímos. Tudo o que recebemos deve ser administrado como algo que nos foi confiado, e não como uma posse absoluta. Até mesmo aquilo que está em nossas mãos depende continuamente da bênção de Deus. Por isso, podemos trabalhar e planejar sem transformar aquilo que possuímos em nossa segurança definitiva.
Ao mesmo tempo, confiar em Deus não significa abandonar os meios que ele nos concede. A providência não elimina nossa responsabilidade de agir. Somos chamados a utilizar os recursos, as precauções e os meios que Deus coloca diante de nós.
Viver o presente, portanto, não significa ignorar o futuro, mas cumprir fielmente o dever presente enquanto confiamos aquele futuro a Deus.
Talvez você esteja procurando o ponto final quando deveria olhar para a trajetória
Isso muda também a maneira como pensamos sobre nossas próprias histórias.
Talvez você tenha imaginado uma vida completamente diferente da que possui hoje.
Talvez tenha sonhado com uma profissão e seguido outro caminho.
Talvez tenha imaginado morar em outro lugar.
Talvez tenha pensado que chegaria a determinada idade com muito mais dinheiro, reconhecimento ou realizações.
E talvez algumas dessas coisas ainda possam mudar.
Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que podemos mudar nossa vida e acreditar que nossa vida só terá valor depois que conseguirmos alcançar aquilo que imaginamos.
Você não precisa esperar chegar a um determinado ponto para começar a viver fielmente.
O processo também importa.
Enquanto caminhamos, temos oportunidades de amadurecer, de aprender, de servir, de corrigir nossos erros e de nos tornarmos pessoas melhores para nossas famílias, para nossa comunidade e para aqueles que Deus colocou ao nosso redor.
E, para o cristão, esse processo não é simplesmente uma trajetória de desenvolvimento pessoal. É uma trajetória de transformação. A vida inteira se torna um caminho de arrependimento, renovação e conformação à imagem de Cristo. Não chegamos imediatamente à perfeição; caminhamos enquanto Deus restaura em nós aquilo que foi corrompido.
A vida não é apenas um ponto final que precisamos alcançar.
Existe uma trajetória sendo construída.
E essa trajetória acontece diante de Deus.
Então, o que você quer ser quando crescer?
Talvez hoje você já não saiba responder àquela pergunta que parecia tão simples quando era criança.
E talvez isso não seja um problema.
Talvez você tenha descoberto que a vida é muito mais complexa do que imaginava.
Talvez tenha mudado de profissão.
Talvez tenha abandonado um sonho.
Talvez esteja em uma fase completamente diferente daquela que imaginou.
Mas existe uma pergunta que continua sendo importante, independentemente da profissão que você terá, do dinheiro que ganhará ou do lugar onde viverá:
Quem você está se tornando?
Porque Deus não chamou você simplesmente para ocupar um cargo.
Ele chamou você para viver diante dele, dentro da vocação que lhe confiou, e para que sua vida inteira seja orientada pela vontade de Deus. A profissão pode mudar. A condição pode mudar. As responsabilidades podem mudar. Mas o chamado para viver fielmente diante de Deus permanece.
Isso pode acontecer em uma profissão admirada por todos ou em um trabalho que quase ninguém percebe.
Pode acontecer em uma sala de aula, em um escritório, dentro de um caminhão, em uma casa, em uma igreja ou em qualquer outro lugar onde Deus tenha colocado você.
E talvez seja justamente aí que esteja a beleza da vocação cristã.
Você não precisa descobrir uma profissão extraordinária para descobrir que sua vida tem valor.
Você precisa aprender a viver fielmente na vocação que Deus lhe deu, permitindo que sua vida reflita a imagem daquele a quem você pertence.
A sua vida não é um acidente de percurso.
Você não controla tudo o que acontece em sua história, mas sua vida também não está entregue ao acaso. A providência de Deus significa que os acontecimentos da nossa vida estão debaixo do seu governo. Isso não transforma nossa existência em fatalismo; ao contrário, dá fundamento para trabalharmos, planejarmos e vivermos com confiança, mesmo quando não sabemos o que virá depois.
O tempo que você recebeu é limitado, e justamente por isso ele é precioso.
Você não sabe quanto tempo ainda terá, mas sabe o que tem agora.
Este dia.
Esta responsabilidade.
Estas pessoas.
Esta oportunidade.
E, em vez de passar a vida inteira esperando pelo momento em que finalmente poderá começar a viver, talvez seja hora de olhar para aquilo que Deus colocou diante de você e perguntar:
Como posso glorificá-lo enquanto caminho?
Porque talvez a pergunta nunca tenha sido apenas o que você gostaria de ser quando crescesse.
Talvez a pergunta mais importante sempre tenha sido:
Quem você está se tornando enquanto cresce?
E, para o cristão, existe uma resposta que permanece maior do que qualquer profissão, qualquer cargo ou qualquer conquista: tornar-se cada vez mais semelhante a Cristo e aprender, em cada etapa da vida, a viver para a glória de Deus.
